INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA APRENDIZAGEM.

 

Débora Nogueira Rodrigues Machado.

Outubro, 2019

 

Conhecer as interferências emocionais é essencial para haver a aprendizagem. A competência de escutar a criança aceitá-lo sem preconceitos e vê-lo como ser humano, tem como resultado uma criança com possibilidades de se abrir para a aprendizagem.

 

Segundo o chileno Casassus, existem sete atitudes para o desenvolvimento da Educação Emocional.  A primeira é dar-se conta dos próprios sentimentos.  A segunda, observar o que ocorre com as crianças. A terceira, entender as pessoas para estabelecer conexões com elas. A quarta, cuidar da qualidade dessas interações. A quinta, ter consciência das ligações entre as coisas que acontecem no âmbito escolar. A sexta, demonstrar empatia pelo que acontece com o outro. E, por fim, se responsabilizar pelo que ocorre no processo de ensino aprendizagem, sem ficar somente procurando culpados pelos insucessos.

Para auxiliar na observação e identificação do comportamento adotado pela criança nos seus contextos de vida apresentam-se, seguidamente, algumas das caraterísticas principais das crianças com dificuldades emocionais na aprendizagem:

 

  •   Irrequietude constante, não raras vezes confundida com a hiperatividade;
  •  Impulsividade;
  •  Tristeza;
  •  Apatia;
  •  Agressividade verbal e física;
  •  Imaturidade;
  •  Pouca capacidade de atenção.

 

 

O início do desenvolvimento satisfatório da inteligência emocional pode surgir por meio de uma base sólida de segurança construída ainda na infância. A criança recebe muitos estímulos do ambiente onde vive, moldando assim, essa inteligência emocional.

Buscando respostas para as reações do cérebro frente aos estímulos emocionais tencionamos esclarecer e tecer comparativos entre aprendizagem, cérebro, emoção e interferências, fazendo um estudo bibliográfico do tema em teóricos ligados à neurociência, bem como de estudos realizados por neurocientistas através de pesquisas neurológicas e de outros teóricos ligados a área da psicologia, pedagogia, sociologia e psicanálise.

Assim, para Vygotsky, “A emoção não é uma ferramenta menos importante que o pensamento” e, portanto, necessita de estímulos. Afirma, ainda, “que a educação sempre implica em mudanças nos sentimentos e a reeducação das emoções vai em direção da reação emocional inata”.

O autor diz que “as emoções são tão importantes quanto o intelecto e que é possível pensar com talento e sentir talentosamente”. É fundamental que se conheça o cérebro humano, sua participação na aprendizagem, quais partes estão intimamente ligadas e quais processos são desencadeados quando relacionamos estímulos, conhecimento, memória de curto e longo prazo.

 Algumas formas de contribuir com a inteligência emocional da criança são:

  • Ensinar a lidar com as frustrações;
  • Estimular a reflexão da criança sobre os atos dela;
  • Estimular a autoconfiança e a autoestima;
  • Elogiar as qualidades, antes mesmo de apontar os erros;
  • Ser presente na vida da criança construindo laços afetivos fortes;
  • Demonstrar a existência de um diálogo aberto entre a família;
  • Estimular o controle das emoções;
  • Não criar um mundo ilusório em que a criança é perfeita, e sim mostrar também a racionalidade.

A aprendizagem se faz em ambiente agradável, equilibrado, feliz e isto deve ser pensado pelo educador e de que forma se dará. Conhecendo a criança, se apropriando da afetividade, criando um ambiente motivacional, ativará áreas do cérebro que estarão em conformidade com as propostas e regras estabelecidas pelo grupo, desestressando o ambiente e promovendo uma aprendizagem condizente. É necessário um trabalho de equipe – educador e sujeitos da aprendizagem -, para que ela se sustente e se perpetue. Ambiente estressante prejudica a aprendizagem e não promove a permeabilidade e receptividade da mesma.

Pensando aprendizagem constatamos que é possível tecer ações concretas que possam ser experimentadas possibilitando a ativação do hemisfério direito, que são: simulação de acontecimentos históricos, articulação entre desenho e música, a língua e as letras, contação de histórias, dramatizações, envolvendo o indivíduo num cenário construtor de habilidades e possíveis ativações neuronais.

Portanto, um clima emocional estável auxilia na aprendizagem, e se o indivíduo não o tem em seu ambiente social, é possível que o tenha no ambiente educativo de suas aprendizagens, e aqui aporta o educador-pesquisador, ciente de seu compromisso com o outro e de sua responsabilidade com o outro. Permanecem interligados emoção e atenção que fundamentam as bases cognitivas, estabelecendo relações essenciais entre interferência, afetividade, emoção e aprendizagem.

 

Referências:

 A Escola e a Desigualdade, Juan Casassus, 201págs.

SILVEIRA, Mara Musa Soares. O funcionamento do cérebro no processo de aprendizagem. 2004. Disponível em http://www.psicopedagogia.com.br/opiniao/opiniao.asp?entrID=223. Acesso em SET 2013.

FundamentosBiológicosda Educação – Despertando Inteligências e Afetividade no processo da Aprendizagem. Rio de Janeiro, 5ª  edição. WAK Editora, 2010.

VYGOTSKY, L.S. Psicologiapedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2003.

http://cefopna.edu.pt/revista/revista_17/ame_03_17.htm